Papa Leão XIV anima a Igreja amazônica a “abrir novos caminhos” na missão durante a VI Assembleia da CEAMA

A Assembleia da CEAMA reúne em Bogotá delegados de toda a Amazônia para discernir os horizontes pastorais do período 2026-2030. Em sua mensagem, o Papa sublinha a necessidade de uma Igreja que seja “sinal de unidade na diversidade” e defensora da vida e da criação.

Por: Julio Caldeira IMC*

A Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) realiza de 16 a 20 de março sua VI Assembleia Geral em Bogotá, Colômbia, reunindo delegadas e delegados dos diferentes territórios amazônicos, juntamente com representantes de organismos eclesiais internacionais que acompanham o caminho da Igreja na região. O encontro expressa a diversidade e a riqueza do processo sinodal que a Igreja vem impulsionando na Amazônia desde o Sínodo de 2019, fortalecendo a comunhão entre Igrejas locais, povos amazônicos e organizações eclesiais comprometidas com a defesa da vida e o cuidado da Casa Comum. Mais de 90 participantes — entre bispos, sacerdotes, religiosas, religiosos, leigas e leigos, bem como representantes de povos indígenas — participam deste espaço de oração, diálogo e discernimento pastoral.

Papa Leão XIV: “algo novo está nascendo”

Em uma mensagem dirigida aos participantes da Assembleia, o papa Leão XIV expressou sua proximidade com as comunidades amazônicas e animou a Igreja a continuar o caminho sinodal com esperança. “Vocês estão vivendo um tempo privilegiado de escuta do Espírito Santo para discernir o caminho das comunidades enraizadas nessa região”, afirmou o Santo Padre ao saudar pastores, consagrados e fiéis reunidos em Bogotá.

O Papa destacou especialmente o esforço da CEAMA na elaboração dos Horizontes Pastorais Sinodais, que orientarão a missão da Igreja na Amazônia nos próximos anos. Ao mesmo tempo, manifestou sua proximidade com os povos amazônicos que sofrem as consequências da deterioração ambiental e de diversas situações de exploração:
“A todas as pessoas que padecem essa situação, gostaria de expressar minha proximidade”, afirmou. Inspirando-se no texto bíblico de Isaías — “algo novo está nascendo” (Is 43,19) — o Pontífice convidou os participantes a reconhecer os sinais de esperança que estão surgindo na região.

Para ilustrar essa imagem, utilizou a figura do shihuahuaco, uma árvore gigante da floresta amazônica que cresce lentamente, mas pode viver mais de mil anos. Com essa metáfora, explicou que a Igreja é chamada a tornar-se “um sinal de unidade na diversidade e um refúgio seguro que gera e protege a vida”.

Uma Igreja com rosto amazônico

Em sua mensagem, o Papa também recordou que um dos grandes desafios do processo iniciado com o Sínodo para a Amazônia é construir uma Igreja com “rosto amazônico”, capaz de encarnar o Evangelho nas culturas e realidades da região. “A inculturação é um caminho difícil, mas necessário”, afirmou, animando pastores e fiéis a aceitar “com coragem a novidade do Espírito capaz de criar sempre algo novo com o tesouro inesgotável de Jesus Cristo”. Também sublinhou que a Igreja na Amazônia é chamada a ser “a Igreja das Bem-aventuranças, uma Igreja que abre espaço aos pequenos e caminha pobre com os pobres”, respondendo aos desafios sociais, culturais, ambientais e eclesiais do território, e uma Igreja onde todos caminham juntos, em sinodalidade, e com o exemplo dos mártires.

“Por isso, encorajo-os a continuar juntos, pastores e fiéis, no fortalecimento da identidade dos discípulos missionários na Amazônia. Continuem semeando no sulco que foi regado até mesmo com o sangue de tantos homens e mulheres que os precederam e que, unidos à paixão de Cristo, tornaram-se a raiz de uma ‘árvore gigante’ que cresce na Amazônia”.

Um momento-chave para o caminho sinodal amazônico

Durante a abertura da Assembleia, o cardeal Pedro Barreto Jimeno, S.J., presidente da CEAMA, destacou que este encontro representa um momento-chave para consolidar o processo sinodal da Igreja na Amazônia e projetar o caminho pastoral para o período 2026-2030. Entre os principais objetivos da Assembleia estão: aprovar os Horizontes Pastorais Sinodais que orientarão a missão na região; definir uma nova estrutura organizativa da CEAMA; e eleger a nova Presidência para o período 2026-2030. Barreto também expressou a comunhão da Igreja amazônica com o papa Leão XIV, recordando seu recente chamado à paz e sua proximidade com as vítimas da guerra no Oriente Médio.

Um caminho que continua o sonho do Sínodo para a Amazônia

A VI Assembleia insere-se no processo iniciado com o Sínodo para a Amazônia de 2019, convocado pelo papa Francisco com o lema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Esse caminho deu origem, em 2020, à criação da Conferência Eclesial da Amazônia, inicialmente presidida pelo cardeal Cláudio Hummes, e que hoje articula diversas iniciativas eclesiais como a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), a Rede de Educação Intercultural Bilíngue Amazônica (REIBA) e o Programa Universitário Amazônico (PUAM).

Com espírito de fé e esperança, os participantes da Assembleia continuam discernindo como responder aos desafios da região, fortalecendo a missão da Igreja a serviço dos povos amazônicos e do cuidado da criação. Ao concluir sua mensagem, o papa Leão XIV confiou os frutos da Assembleia à intercessão da Virgem Maria e concedeu sua bênção apostólica, encorajando todos a continuar semeando esperança na Amazônia.


* Pe. Julio Caldeira é missionário da Consolata na Amazônia colombiana. Vice-presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), é autor dos livros “Avancem para águas mais profundas” e “Igreja com rosto amazônico”, publicados pela Editora CELAM (2025).