
Os meios de comunicação locais e regionais informam a morte de um Suboficial da Polícia Nacional do Peru (PNP), após um confronto entre um contingente da Unidade de Serviços Especiais da PNP e membros da comunidade de Providencia, no setor do rio Corrientes, distrito de Trompeteros (Loreto, Peru). Neste caso, também haveria pessoas feridas, detidas e inclusive desaparecidas.
Por: Equipe de Comunicações da REPAM
Os relatos jornalísticos dão conta da retenção de sete tripulantes e de uma embarcação petrolífera pertencente à empresa RICSA, nas proximidades da Comunidade Nativa de Providencia. Por um lado, a empresa apresentou denúncias ao Ministério Público pelos crimes de sequestro, extorsão, distúrbios e obstrução de serviços públicos, afirmando que, para a liberação da tripulação, de uma barcaça e de um rebocador, teria sido exigido o pagamento de cerca de 560 mil dólares. Por outro lado, as comunidades indígenas da região têm reforçado, nas últimas semanas, o pedido por maior presença do Estado para enfrentar os problemas de contaminação, os impactos relacionados às atividades petrolíferas e o impacto social gerado pelas dinâmicas extrativistas.
O impacto segundo os relatórios
Em 2022, o Ministério de Energia e Minas do Peru e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) publicaram um relatório — respaldado no Estudo Técnico Independente do Lote 8 (zona de extração petrolífera ativa desde 1974) — que evidencia o impacto da atividade extrativista: “Após 50 anos de atividade petrolífera, a área se tornou um cenário de degradação ambiental sistemática, com ecossistemas frágeis contaminados e comunidades com saúde e serviços básicos comprometidos” (La República, 2026). Especialistas apontam que a aplicação de políticas públicas ligadas à atividade petrolífera gerou um ambiente de desconfiança em relação às instituições estatais; a isso somam-se os descumprimentos das obrigações de reparação ambiental, estabelecendo uma crise social permanente.
Uma crise ecológica e social
O contexto permite recordar a encíclica Laudato Si’, ao compreender que a ecologia é uma questão integral que envolve o meio ambiente, a dignidade humana, o contexto social e a cultura. Em um pronunciamento emitido por Dom Miguel Ángel Cadenas, bispo do Vicariato Apostólico de Iquitos, afirma-se que “nada pode justificar a morte… esta notícia dilacerante evidencia a violência em que vivemos… Temos um cadáver, vários feridos e desaparecidos, aos quais devemos somar seus familiares”, evidenciando a crise social que predomina em grande parte da região. Além disso, o bispo do Vicariato de Iquitos afirma, em seu pronunciamento, que “Outra violência, menos visível, mas igualmente perturbadora, são os níveis de contaminação nos corpos dos comunitários e a falta de tratamentos adequados, sem esquecer a pobreza multidimensional em que vivem e a ausência de ações necessárias para remediá-la.”
O pronunciamento também evidencia a deterioração sofrida pelo ecossistema ao longo de décadas, confirmando que as áreas impactadas pelos projetos extrativistas vão muito além das zonas de exploração. Plantas, árvores, microrganismos, animais e peixes são afetados por altos níveis de contaminação, intensificando a relação das comunidades com o ecossistema e violando direitos fundamentais, como o acesso à água segura, às garantias de vida e a uma alimentação adequada. O documento apresenta duas perguntas muito pertinentes e necessárias, às quais diferentes setores têm a obrigação de responder: “O que diremos agora às famílias do falecido e dos feridos? O que diremos aos membros das comunidades que sentem em sua própria carne a exclusão?”
Leia o pronunciamento completo: