Missionárias Lauritas: 112 anos de missão e esperança

Foto: Misioneras Lauritas

No dia 14 de maio de 1914, Santa Laura Montoya, acompanhada por várias de suas companheiras, empreendeu o caminho rumo à selva de Dabeiba, porta de entrada para o Urabá, no departamento de Antioquia, Colômbia. Na época, a região apresentava elevados índices de pobreza, isolamento total e ausência do Estado. As Lauritas iniciaram assim seu processo de inclusão e dignificação da população indígena, por meio de métodos educativos e pastorais.

Por: Equipe de Comunicação da REPAM

É válido trazer à memória o contexto em que Santa Laura Montoya e suas companheiras entraram na selva de Dabeiba. Naquele tempo, não foram poucos, mas muitos os que recomendaram às religiosas que não fossem para a região, pois as carências vividas ali eram enormes; a pobreza estrutural e social fazia com que as condições de vida da população (em sua maioria indígena Emberá) fossem lamentáveis. Apesar do contexto, a posição das missionárias foi clara; um dos trechos da autobiografia da Madre Laura nos diz:

“Vendo-me tão decidida e cheios de verdadeira compaixão, suplicaram-me… Em silêncio os deixei e segui para o quarto onde as companheiras rezavam e faziam força pensando que eu pudesse fraquejar; e, assim que me viram, disseram-me: Não ceda em nada; antes mortas do que voltar! Que importa morrer? Não é mais duro ver perecer aquelas almas? Não, não ceda. Seguimos para morrer em Dabeiba! Já vê, padre, o tipo de companheirinhas que Deus me deu…”

Depois da audácia demonstrada no início do século XX, as Missionárias de Maria Imaculada e Santa Catarina de Sena, conhecidas como Missionárias Lauritas, contam com uma presença significativa em 21 países. A congregação acompanha povos indígenas, negros, afrodescendentes, camponeses e populações marginalizadas e excluídas. O site da congregação afirma que: “Hoje, as missionárias da Madre Laura constroem, desenvolvem e acompanham diversos projetos e processos que nascem das pastorais indígenas, afro, afro-caribenha e camponesa, em coordenação com a Igreja Local e as organizações próprias dos povos que acompanham.”

Congregação a serviço dos povos

Na fase que antecedeu a formalização da congregação religiosa, Santa Laura Montoya visualizou uma pedagogia de aproximação com os povos indígenas que seria acolhida nas obras missionárias. O principal objetivo da aplicação desse método é despertar nos próprios povos a consciência de sua dignidade, de sua condição humana e do dom de serem filhos de Deus. A meta traçada era que os povos experimentassem o amor e a ternura de Deus. Atualmente, o método é colocado em prática na busca pela dignidade dos povos; as missionárias Lauritas são reconhecidas pela força com que defendem os mais vulneráveis e, claro, entendem muito bem o que significa escutar o clamor da terra e dos pobres.

Para a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), as ações realizadas territorialmente pelas Missionárias de Maria Imaculada e Santa Catarina de Sena têm grande valor na Amazônia. É necessário reconhecer a importância dos processos que a congregação vem desenvolvendo em favor daqueles que habitam a Amazônia e do território que precisa e deve ser defendido. Seguimos animando a caminhar juntos em favor da dignidade e das garantias para a vida. Dizemos obrigado por 112 anos — e talvez um pouco mais — de anúncio da Boa Nova e de testemunho do amor expresso no Evangelho.

14 de maio de 2026