
Um total de 55 mulheres indígenas de diversas comunidades e organizações do Putumayo, Napo e Baixo Amazonas participaram do V Congresso da Mulher “Lideranças com Identidade Cultural”, realizado de 29 a 31 de maio de 2026, em Estreito, organizado pela Paróquia Santo Antônio de Estreito e pelo Vicariato Apostólico São José do Amazonas. O encontro teve como objetivo fortalecer a liderança, a identidade cultural, a participação das mulheres na tomada de decisões e o impulso a iniciativas econômicas sustentáveis em seus territórios.
Por: Núcleo Mulheres e Amazônia
A inauguração esteve a cargo das lideranças femininas Rubiela Ríos Bunaijima, Zayra Ríos Dahua, da FECONAFROPU, e Gabriela Sosa, da FIKIMMEP, que destacaram a importância de caminhar juntas em um processo de aprendizagem e fortalecimento da confiança entre mulheres diante dos diversos obstáculos que enfrentam para exercer a liderança, entre eles a discriminação, a violência, a falta de oportunidades educacionais, as limitações econômicas e os preconceitos que ainda persistem em algumas comunidades. Por meio de uma dinâmica simbólica sobre o caminho da liderança, as participantes compartilharam experiências pessoais, desafios e motivações para continuar promovendo mudanças em suas comunidades.
Além disso, foram realizados espaços de formação sobre a prevenção da violência contra mulheres, meninas, meninos e adolescentes, com a participação de representantes do Programa Nacional Warmi Ñan, do Ministério Público, do Centro de Saúde de Estreito e do Escritório de Defesa da Vida e da Cultura. As participantes fortaleceram seus conhecimentos sobre direitos, mecanismos de proteção e fluxos de atendimento diante de situações de violência. Várias lideranças femininas compartilharam testemunhos de vida que evidenciam como a capacitação, a organização e a perseverança lhes permitiram assumir responsabilidades em suas federações e organizações indígenas.



Ruth Buendía Mestoquiari, mulher Asháninka e vencedora de diversos reconhecimentos por sua defesa dos direitos e da reivindicação das populações indígenas na bacia do rio Ene, compartilhou sua experiência como liderança e apresentou a história das organizações dos povos indígenas no Peru, bem como sua trajetória de vida. Também participaram as mulheres porta-vozes indígenas da Federação dos Povos Yaguas do rio Apayacu (FEPYRA), Leslie Gómez e Mirna Rengifo, que descreveram como exercem seu papel de porta-vozes e como fazem suas vozes serem ouvidas por meio do rádio. Relataram ainda como esse espaço lhes permitiu fortalecer a união com outras mulheres e transmitir o que acontece em suas comunidades e organizações.
Um dos principais eixos de trabalho esteve relacionado ao fortalecimento econômico das mulheres indígenas. As participantes destacaram a importância de impulsionar empreendimentos vinculados ao artesanato, aos produtos naturais e a outras iniciativas sustentáveis que permitam gerar renda para as famílias. Nesse contexto, discutiu-se a necessidade de construir uma identidade coletiva para os produtos elaborados pelas mulheres do Putumayo, avançando na criação de uma marca própria que represente a riqueza cultural de seus povos.
Como resultado do encontro, as participantes aprovaram um pronunciamento conjunto no qual expressam sua preocupação com essas problemáticas e reivindicam maior atenção das autoridades para garantir o exercício de seus direitos (o documento foi lido durante a missa dominical e no ato cívico realizado na localidade de Estreito). Entre suas principais demandas estão o fortalecimento dos serviços de saúde e educação, a proteção dos territórios indígenas frente às atividades ilegais, o acesso a oportunidades de capacitação e empreendedorismo e uma maior participação das mulheres nos espaços de tomada de decisão.


“Queremos continuar aprendendo, nos organizando e defendendo nossos territórios, nossa cultura e nossos direitos. As mulheres indígenas têm um papel fundamental no presente e no futuro de nossas comunidades”, foi uma das mensagens compartilhadas pelas participantes ao final do encontro. Este evento foi organizado pelo Vicariato Apostólico de São José do Amazonas, em conjunto com as lideranças femininas do Putumayo. Também participaram o Instituto do Bem Comum (IBC), as lideranças femininas da FEPYRA, do rio Apayacu, e as lideranças da ORKIWAN, do rio Napo.