
A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) é expressão viva do legado do Papa Francisco pelo cuidado da Casa Comum e pela defesa da nossa Querida Amazônia. Neste 12 de setembro, ao completar 12 anos de fundação, a REPAM renova seu compromisso e continua dando eco à luta dos territórios e às iniciativas que neles se gestam em favor da vida e da dignidade humana.
Por: Equipe de Comunicação da REPAM
A audiência realizada em 12 de setembro, como encerramento do Encontro Sinodal Fratelli Tutti: Diálogo socioambiental Norte-Sul, teve um significado especial para nossa Rede, pois, neste 12 de setembro, completam-se 12 anos de sua criação pelo Papa Francisco, e tivemos esta oportunidade de encontro com o Papa Leão XIV.
No marco do espaço de diálogo com o Sumo Pontífice, nós, da REPAM, entregamos como presente uma ânfora tecida por mulheres Tikuna do rio Amazonas, que representa uma herança ancestral e uma tradição, pois é uma técnica de tecelagem transmitida de avós para mães e de mães para filhas. Esse tecido representa o tecer pan-amazônico de nossa Rede em seu caminho e compromisso com o legado do Papa Francisco. As sementes vermelhas com as quais está decorada representam a vida entregue pela dignidade e pela justiça em nossa Querida Amazônia; o sangue derramado pelas pessoas que ofereceram suas vidas em defesa de nossa Casa Comum, especialmente da Amazônia.
Em seu interior, a ânfora guarda símbolos da diversidade ambiental amazônica; guarda também nossa esperança e expectativa em relação ao seu serviço pontifício, a esperança de que a iniciativa do diálogo social ou da amizade social que ele lidera se fortaleça por meio da presença, da voz e da representação das pessoas, dos povos e das comunidades que defendem seus territórios e cuidam da vida e da Casa Comum em meio ao extrativismo que arrasa os biomas vitais para o planeta.


Além do presente, foi entregue uma pasta com documentos sobre o ser e o fazer da REPAM ao longo de sua história, bem como contribuições para o discernimento e a ação em torno da Água — o relatório regional do Relator Especial das Nações Unidas sobre os direitos humanos à água potável e ao saneamento — e sobre a problemática da mineração na Amazônia, intitulado “Um chamado a olhar os rostos, escutar as histórias e reconhecer as feridas abertas da Amazônia”, elaborado pela REPAM.
Em sua intervenção, o Papa Leão reafirmou sua vontade de continuar os diálogos em busca de modelos de desenvolvimento mais humanos, baseados na dignidade e na atenção àqueles que possam ficar à margem dos espaços de tomada de decisão. Convidou a um diálogo que enfrente com realismo os desafios que afetam nosso futuro comum, a olhar a realidade de frente, desmascarar e questionar as consequências do desenvolvimento tecnológico, cuidar dos pobres como um imperativo do Evangelho e manter nosso olhar voltado para aqueles que sofrem as consequências. Nesse contexto, Leão levanta a pergunta: que humanidade queremos? Que lugar tem cada pessoa nessa humanidade, nessa sociedade?
O Sumo Pontífice insistiu na necessidade de impulsionar uma agenda de responsabilidade compartilhada Norte-Sul, na qual todos estejamos incluídos, como expressão de convicção na Doutrina Social da Igreja, assumindo os desafios sociais da participação e da corresponsabilidade compartilhada. Além disso, fez um chamado a escutar as diferenças, discerni-las e buscar aquilo que contribui para o bem de todas as pessoas, evitando narrativas polarizadas que ampliem os enfrentamentos. Convidou ainda a abrir este diálogo para que seja fortalecido em clareza, participação, permanência e diálogo entre posições opostas.