
A apresentação acontecerá no dia 15 de outubro, às 8h (horário de Bogotá, Lima e Quito), no Palácio das Nações Unidas, em Genebra, na Suíça. Na ocasião, o relator especial das Nações Unidas sobre os direitos humanos à água potável e ao saneamento, Pedro Arrojo Agudo, apresentará o conteúdo do documento, cuja elaboração contou com o apoio de diversas organizações na sistematização de dados e na articulação de um grupo motor do qual faz parte a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM).
Por: Equipe de Comunicação da REPAM
Este relatório aborda os principais desafios enfrentados pelos ecossistemas aquáticos e pelo exercício dos direitos humanos à água potável e ao saneamento na Amazônia. Além disso, reúne vozes e experiências de organizações, comunidades e povos da região. O lançamento deste documento contará também com a participação de Mari Luz Canaquiri, da Federação Huaynakana Kamatahuara Kana; Ana Lia González, da Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG); Sonia Olea, da REPAM; Larissa Mies Bombardi, da International Pesticide Standard Alliance (IPSA); e Pablo Fajardo, da União de Atingidos e Atingidas pelas Operações Petrolíferas da Texaco (UDAPT).
Vozes dos territórios
Uma das iniciativas que permitiu acolher as vozes de quem vive na Amazônia e conhecer suas perspectivas sobre a problemática da água e do saneamento foi a apresentação do processo de elaboração do relatório, realizada no âmbito do XII Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA), em agosto passado. Naquela ocasião, Pedro Arrojo Agudo propôs um intercâmbio de ideias para compartilhar os avanços de sua equipe na elaboração do documento e ouvir as experiências, perspectivas, contextos e sentimentos das pessoas presentes sobre a problemática da água em diferentes pontos do bioma.
«Vocês conhecem a Amazônia; o relatório tem que ser feito por vocês. O que vou tentar fazer é dar forma a ele, colocar minha assinatura e oferecer meu apoio», afirmou Pedro Arrojo durante sua participação no XII FOSPA. Naquele encontro, os participantes expuseram a complexa realidade vivida na Amazônia em relação ao acesso à água e ao saneamento. Para citar um exemplo, atualmente, a bacia não dispõe de sistemas plenamente eficientes de tratamento de águas residuais. Nem mesmo as cidades amazônicas com maior população e recursos contam com um serviço de tratamento que atenda adequadamente a essa necessidade, o que agrava a deterioração das fontes de água.
A contaminação por metais pesados nas fontes hídricas foi outro dos temas abordados naquele espaço. A contaminação por mercúrio nas populações amazônicas atingiu níveis que afetam inclusive povos em isolamento voluntário e em contato inicial. A mineração, por si só, deteriora as fontes de abastecimento de água das populações e comunidades amazônicas. Além disso, contribui para a deterioração dos contextos sociais e favorece a proliferação de outras formas de extrativismo que ameaçam as fontes hídricas, como o desmatamento, o narcotráfico e a grilagem de terras. A situação das fontes hídricas constitui uma problemática transversal ao contexto social da grande região pan-amazônica.
Uma aposta a partir da Relatoria Especial
Este documento apresenta um posicionamento respaldado por um dos órgãos das Nações Unidas. Espera-se que o evento de lançamento incentive diferentes organizações e pessoas interessadas a utilizar o relatório em espaços de reflexão e diálogo. Nas palavras do próprio Pedro Arrojo Agudo, «é necessário que este relatório não fique apenas na web, é preciso que saia dela». Na ocasião, o relator especial das Nações Unidas sobre os direitos humanos à água potável e ao saneamento destacou que o ideal seria que o relatório fosse divulgado e debatido in situ, ou seja, no próprio território pan-amazônico.

