A nova Cátedra de Saúde Planetária da PUCE é a primeira com perspectiva amazônica

O presidente da REPAM, Dom Rafael Cob, e o presidente da REPAM Equador, Dom Adalberto Jiménez, participaram da apresentação da Cátedra em Quito como representantes do comitê científico.

Por: María Pin (Cátedra de Saúde Planetária)

Na última quinta-feira, 11 de dezembro, a Pontifícia Universidade Católica do Equador (PUCE) acolheu a apresentação da Cátedra de Saúde Planetária “Amazônia” em seu campus de Quito. Impulsionada pela Fundação Pondera, essa cátedra pretende responder aos problemas de saúde globais e locais, reconhecendo que fazem parte de um todo e que são condicionados pelos determinantes sociais, pelo meio ambiente e pela relação com a natureza. Além disso, busca criar pontes entre a ciência e o conhecimento ancestral, com a participação das comunidades amazônicas, para gerar soluções conjuntas e sustentáveis.

Durante a apresentação, Francisco Javier Valbuena, diretor da cátedra e presidente da Fundação Pondera, destacou a importância de dar voz às comunidades indígenas nas questões de saúde planetária, que normalmente têm sido relegadas a um segundo plano. Ele ressaltou que seus conhecimentos sobre a natureza, seu saber ancestral e sua filosofia de vida são imprescindíveis na luta contra as mudanças globais. O doutor Felipe Moreno Piedrahita, decano da Faculdade de Saúde e Bem-Estar da PUCE, destacou o avanço que essa cátedra representa para a universidade, enquanto o recém-nomeado reitor, padre Carlos Ignacio Man-Ging, reiterou a importância da dimensão espiritual na saúde e o compromisso da universidade com a saúde planetária.

Na apresentação, também foram exibidos vídeos curtos de três representantes do comitê científico. A doutora Marie Studer, ex-diretora executiva da Planetary Health Alliance, falou sobre como a relação entre a Aliança e a cátedra se traduzirá em um projeto robusto. Por sua vez, Michael Kuhnert, diretor executivo da Medmissio, afirmou que “a saúde planetária é o maior desafio da atualidade”, porque “como humanidade, estamos realmente em perigo”. Por fim, foi exibido o vídeo de Emma Rawson-Te Patu, membro do Fórum Permanente das Nações Unidas para as Questões Indígenas. Inicialmente, ela saudou todos os presentes em maori. Em seguida, já em inglês, afirmou que a cátedra é “um farol de inovação e esperança”, pois é um espaço onde a pesquisa e a sabedoria ancestral se unem para enfrentar os desafios do planeta.

O comitê científico da cátedra é atualmente composto por vinte renomadas personalidades dos campos da saúde, social e indígena. Entre elas, destacam-se Dom Rafael Cob, presidente internacional da REPAM, e Dom Adalberto, presidente da REPAM no Equador. Ambos compareceram à apresentação, juntamente com Noemí Gualinga, presidente da Associação de Mulheres de Sarayaku, para demonstrar seu apoio. Também estiveram presentes José Alejandro Torres Balarezo e Patricia Granja, representantes da Pontifícia Universidade Católica do Equador no comitê. Essa cátedra está centrada na Amazônia equatoriana por sua localização geográfica, mas possui um caráter global. Ela abrangerá estudos de comunidades de todo o mundo e colaborará com instituições tanto do Sul quanto do Norte global em projetos multidisciplinares.