Coalizão Ecumênica Inter-religiosa e Ecoespiritual do Sul Global faz um chamado justo diante do Tratado sobre Combustíveis Fósseis

Os eventos realizados em Santa Marta em torno da I Conferência Internacional para a Transição além dos Combustíveis Fósseis contaram com espaços nos quais organizações religiosas do Sul Global debatem e refletem sobre o tema. Assim, foi emitido um documento que apresenta ações necessárias a serem executadas no âmbito de um tratado internacional sobre o uso de carvão, petróleo e gás.

Por: Equipe de Comunicações da REPAM

O documento inicia citando o Manifesto das Igrejas do Sul Global, ao afirmar que “os dados científicos mostram que o planeta está se aproximando de limites críticos que ameaçam a estabilidade dos ecossistemas, das economias e dos sistemas de governança, afetando especialmente os mais vulneráveis”; assim, evidencia-se a permanência de um modelo econômico no qual a mudança climática é resultado de modelos de produção e consumo insustentáveis. Além disso, o chamado estabelece, textualmente, que: “A principal causa da crise climática é a queima massiva de carvão, petróleo e gás, responsáveis por 86% das emissões de CO₂ entre 2010 e 2019”.

Crise ecológica, social e espiritual

Como já havia dito o Papa Francisco, “a crise ecológica não é meramente um problema ambiental, mas uma profunda crise humanitária e social”. O chamado retoma essa perspectiva e convida à mobilização não apenas com um olhar ambientalista, mas também com aquele que defende a dignidade humana; além disso, a crise ambiental gera um vazio espiritual, ético e de sentido que exige, além de uma reestruturação econômica, uma transformação cultural. Nesse sentido, o documento estabelece que “a transição justa busca transformar a forma como nos relacionamos com a Terra e entre nós” e que “a Terra é um dom sagrado que deve ser cuidado com responsabilidade, com amor por todas as criaturas e compromisso com as futuras gerações de todos os povos do mundo”.

A Rede de Fé pela Justiça Climática afirmou, no âmbito do documento de chamado, que “é preciso ir além do enfoque do quê e do como; é necessário perguntar para e com quem”, evidenciando a necessidade de que tratados e compromissos adotem uma perspectiva territorial e construam acordos, ações e cenários de aplicação junto às próprias comunidades. É nesse ponto que se destaca o que foi exposto por Ximena Lombana, secretária executiva da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), ao classificar os princípios de autonomia, soberania e justiça como pontos-chave para o processo de transição energética e para os tratados ou compromissos que surjam ao longo do caminho.

Chamado ao tratado

O corpo principal do documento sustenta uma série de pedidos e ações de compromisso que as igrejas do Sul Global propõem aos signatários do Tratado sobre Combustíveis Fósseis. Nesse sentido, chama-se a: uma mudança cultural e espiritual; ao fim imediato de novas explorações de carvão, petróleo e gás; a uma eliminação rápida e equitativa da produção atual de combustíveis fósseis; a uma transição justa em escala mundial; ao abandono dos subsídios aos combustíveis fósseis; à transformação do sistema financeiro; à promoção do respeito absoluto à soberania dos povos; à rejeição do neoextrativismo e das falsas soluções; à garantia de um sistema de democracia plena e com paridade; à promoção do direito à livre determinação e à consulta prévia, livre e informada; e ao estabelecimento da busca por uma economia do cuidado.

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