
De 12 a 14 de maio, cerca de 20 comunicadores da Orinoquia e da Amazônia colombianas participaram de espaços de formação e reflexão no âmbito do projeto “Cumares: vozes dos povos da Orinoquia e da Amazônia”. Durante os três dias de encontro, contou-se com a presença de parceiros estratégicos do processo, como o Reino dos Países Baixos, a World Association for Christian Communication (WACC) e a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM).
Por: Equipe de Comunicação da REPAM
A execução do projeto Cumare teve início oficialmente em 2023; naquela ocasião, 12 emissoras comunitárias foram integradas ao processo que, com foco na formação, permite hoje contar com uma rede de repórteres em boa parte do território amazônico colombiano. Às jornadas de capacitação também se somou a emissora Raudal Estéreo, localizada na cidade de Puerto Ayacucho, estado Amazonas, Venezuela, devido à proximidade geográfica e à relação social e cultural que mantém com o departamento de Vichada, na Colômbia. Cada uma das emissoras abriu seu espaço para que grupos compostos por entre 12 e 20 representantes da sociedade civil organizada (indígenas, camponeses, mulheres, jovens, artesãos, afrodescendentes etc.) ampliassem seus conhecimentos técnicos e reflexivos no campo da comunicação. Desde então, ano após ano, representantes de cada grupo se reuniam na cidade de Bogotá para avaliar os avanços e as tarefas executadas no âmbito do projeto.
A rede hoje
Atualmente, o projeto Cumare já organizou três encontros para representantes (repórteres) de cada grupo, um encontro para diretores e representantes legais das rádios comunitárias e a participação em espaços de incidência, como a COP 16 da Biodiversidade, a COP 30 sobre Mudanças Climáticas, o FOSPA em Belém do Pará e a III Juntanza da Comunicação em Quito. Além disso, o processo de formação e acompanhamento permitiu a produção de peças audiovisuais e sonoras, dentro de um processo que incentiva a reflexão e o discernimento (a partir da comunicação) em favor da defesa do grande bioma amazônico. As alianças da rede foram estabelecidas com diferentes grupos dedicados à comunicação na América Latina; exemplo disso é a relação com a Rede Pan-Amazônica de Comunicação da ALER (Associação Latino-Americana de Comunicação e Educação Popular) e com o núcleo Comunicação para a Transformação Social da REPAM.
Próximos passos
O processo de formação vislumbra mais uma etapa no trabalho dos repórteres e dos membros dos grupos em cada território. Embora a prática radiofônica tenha sido fortalecida, o contexto atual — no qual os meios de comunicação diversificam suas formas de expressão em uma linguagem multimídia — torna necessário aprofundar o uso fiel e adequado das plataformas digitais como mecanismos de incidência, voltados não apenas para promover a articulação de experiências, mas também para incentivar a reflexão para além da região amazônica, com o objetivo de garantir o equilíbrio da biodiversidade e as condições de vida no planeta. A rede de repórteres Cumare segue caminhando no cenário da comunicação e dos processos sociais, tão necessários para o território, os povos que o habitam e todos nós que dependemos dele.


