
A cidade de Puyo, capital da província amazônica de Pastaza, será sede do XII Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA) 2026, um encontro internacional que reunirá organizações sociais, povos indígenas, movimentos ambientais e representantes da academia da região amazônica. O evento será realizado de 16 a 22 de agosto de 2026, com atividades que também se estenderão a territórios da Amazônia equatoriana.
Por: Evelyn Gutiérrez – REPAM Equador
Durante uma coletiva de imprensa, representantes do comitê organizador apresentaram a agenda, os objetivos e o alcance deste espaço de articulação regional que reúne atores sociais de toda a bacia amazônica. O fórum será realizado sob o enfoque “Uma só Amazônia, um só território”, consolidando-se como um espaço-chave de articulação entre povos indígenas, comunidades afrodescendentes, organizações sociais e coletivos cidadãos dos países amazônicos. O objetivo principal é construir um plano de ação regional diante do extrativismo, fortalecendo redes voltadas à ação coletiva, à justiça ambiental, climática e social, à autonomia territorial e à garantia dos direitos humanos e da natureza em toda a Pan-Amazônia.
A diretora da Global Alliance for the Rights of Nature, Natalia Greene, apresentou a agenda do encontro e convidou organizações, comunidades e a cidadania a somarem-se a este processo participativo que busca articular propostas a partir dos territórios amazônicos. Entre os principais temas que serão abordados durante o fórum, destacam-se:
- Extrativismo e defesa territorial
- Direitos humanos na Amazônia
- Direitos da natureza e jurisprudência ecológica
- Direitos de participação e processos de consulta
- Justiça climática, resiliência comunitária e meios de vida
- Justiça de gênero e participação das juventudes
Agenda de atividades do FOSPA 2026
A programação prevê uma semana completa de encontros, diálogos e ações de incidência social e política.
16 e 17 de agosto de 2026: serão realizadas visitas de campo em territórios amazônicos, com o objetivo de que delegações nacionais e internacionais conheçam de perto os impactos das atividades petrolíferas e mineradoras, bem como as ameaças e as soluções que surgem das comunidades.
18 a 20 de agosto de 2026: no Coliseu de Esportes de Puyo será realizado o fórum central, com conferências, encontros temáticos, mesas de trabalho e espaços de articulação. Espera-se a participação de mais de mil pessoas provenientes de diferentes países amazônicos. Durante esses dias será trabalhada a construção do plano de ação regional, que será um dos principais resultados do encontro.
No dia 20 de agosto também será realizada uma comemoração pelos três anos da decisão tomada pela cidadania equatoriana na consulta popular sobre o Parque Nacional Yasuní, na qual se decidiu deixar o petróleo no subsolo — uma resolução que, segundo os organizadores, ainda não foi plenamente cumprida.
21 de agosto de 2026: será realizada uma marcha nacional em Quito, com o objetivo de que as autoridades escutem as demandas dos povos amazônicos e da comunidade internacional.
22 de agosto de 2026: o fórum será encerrado em Quito com um festival cultural, que celebrará a diversidade dos povos amazônicos e os processos de defesa territorial.
A voz dos povos amazônicos
Durante a coletiva de imprensa, Juan Bay, presidente da Nacionalidade Huaorani do Equador, destacou que o Fórum Social Pan-Amazônico busca fortalecer a luta pela defesa dos territórios e do Parque Nacional Yasuní. O dirigente recordou que se completa um ano da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Tagaeri e Taromenane vs. Equador, ressaltando que as comunidades manifestaram preocupação pela falta de participação efetiva e de ações concretas para garantir os direitos dos povos em isolamento voluntário. Também sublinhou que este encontro busca unir as vozes das nacionalidades indígenas da Amazônia equatoriana e de quem habita e defende esses territórios para as futuras gerações.
Articulação regional pela defesa da Amazônia
O Fórum Social Pan-Amazônico contará com delegações de países amazônicos como Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, transformando Puyo em um cenário de diálogo regional sobre o futuro da Amazônia. Para os organizadores, este encontro representa uma oportunidade de fortalecer a unidade dos povos amazônicos, dar visibilidade a quem defende os territórios e projetar propostas concretas em favor da vida, da natureza e de uma Amazônia justa e livre de atividades extrativistas.
O processo organizativo é liderado por um Comitê Equador, formado por organizações sociais e indígenas que trabalham de maneira articulada para garantir o êxito do fórum e promover a participação das nacionalidades indígenas da Pan-Amazônia. Os organizadores também fizeram um chamado à cidadania, aos movimentos sociais e aos povos amazônicos para somarem-se a esta semana de atividades que busca levantar uma só voz pela Amazônia e pela defesa da casa comum.