II Assembleia Eclesial da Amazônia Peruana reafirma o caminho sinodal e os compromissos pela defesa da vida e dos territórios

Com a força da escuta, do discernimento comunitário e da espiritualidade compartilhada, a II Assembleia Eclesial da Amazônia Peruana renovou o compromisso da Igreja amazônica com a defesa dos povos e dos territórios, a construção de uma Igreja sinodal com rosto amazônico e a articulação pastoral intervicarial como sinal de esperança diante dos desafios que a região enfrenta.

Por: Equipe de Comunicações da REPAM Peru

Após três dias de encontro, diálogo e reflexão, cerca de 90 participantes provenientes dos oito vicariatos amazônicos — entre bispos, agentes pastorais, lideranças indígenas mulheres e homens — concluíram a II Assembleia Eclesial da Amazônia Peruana, reafirmando a vocação da Igreja de caminhar junto aos povos amazônicos, acompanhar suas lutas e fortalecer uma ação pastoral articulada, profética e comprometida com a vida. Como resultado central, a Assembleia acordou avançar rumo à construção participativa de um Plano Pastoral Intervicarial, expressão concreta do caminho sinodal que a Igreja vive na Amazônia.

O primeiro dia foi marcado por um profundo exercício de escuta da realidade amazônica. A partir do painel “Clamor da Amazônia: ponto de não retorno”, realizou-se uma leitura crítica do contexto nacional e internacional, atravessado pela crise climática, pelo enfraquecimento do direito internacional, pelo avanço do extrativismo e pela violação sistemática dos direitos dos povos indígenas, com impacto especial sobre mulheres, meninas e adolescentes. A partir da voz das organizações indígenas, representadas por Teresita Antazú, da AIDESEP, e da Igreja, destacou-se a urgência de fortalecer alianças e sustentar espaços de resistência e esperança em defesa da vida e dos territórios.

Outro eixo central foi o reconhecimento da água como direito, vida e sujeito, a partir de experiências concretas de comunidades indígenas e de contextos urbanos amazônicos. Evidenciou-se o impacto da mineração ilegal e de outras atividades extrativas sobre os rios, a saúde e a vida comunitária, assim como o papel da Igreja no acompanhamento pastoral e jurídico dos processos de exigibilidade de direitos. Nesse marco, destacou-se a Cúpula Amazônica da Água como um espaço de articulação e de projeção comum da Igreja amazônica.

Durante a Assembleia também se refletiu sobre os sonhos social, cultural, ecológico e eclesial da Querida Amazônia, vinculando-os aos desafios atuais da missão pastoral. A transmissão da fé a partir de uma perspectiva intercultural ocupou um lugar central, reafirmando que a evangelização na Amazônia é diálogo, acompanhamento e permanência no território, e que os povos indígenas devem ser protagonistas dos processos de vida e fé, a partir de suas línguas, espiritualidades e culturas.

O segundo dia foi dedicado ao trabalho das comissões intervicariais, que apresentaram avanços, desafios e prioridades para o fortalecimento da ação pastoral conjunta. A Comissão de Pastoral Indígena reafirmou a importância de consolidar suas equipes em todos os vicariatos, avançar em planos pastorais próprios e projetar a criação de uma Escola de Missiologia. A Pastoral Juvenil destacou o avanço na construção de um documento-base e o desafio de alcançar jovens indígenas a partir de propostas culturalmente pertinentes. As comissões de Educação, Comunicações, Direitos Humanos e Ecologia Integral, e Leigos e Ministerialidade coincidiram na necessidade de maior articulação, sistematização de experiências, formação contínua e incidência coordenada diante das múltiplas violações de direitos que atravessam a Amazônia.

Um dos espaços mais significativos foi o diálogo em torno do Rito Amazônico, que permitiu compartilhar experiências, inquietações e resistências a partir dos territórios. Dom Miguel Ángel Cadenas sublinhou que “este processo não é um experimento isolado, mas um caminho eclesial, comunitário e sinodal, que convida a superar medos, aprofundar o discernimento e fortalecer a comunhão a partir da diversidade cultural”. Reafirmou-se que a fé pode e deve expressar-se a partir da identidade dos povos amazônicos, respeitando o significado profundo de seus símbolos, cantos e práticas espirituais.

A Assembleia também contou com espaços de espiritualidade, celebração e encontro intercultural, como as eucaristias, os momentos de oração comunitária e a noite cultural, na qual os vicariatos compartilharam expressões artísticas e produtos de seus territórios, fortalecendo os laços de fraternidade e comunhão.

O terceiro dia foi orientado para a projeção pastoral. Por meio do trabalho por vicariatos e da plenária final, foram recolhidas contribuições e compromissos para a construção do Plano Pastoral Intervicarial. Como acordo principal, foi constituída uma comissão encarregada de elaborar esse plano, que buscará articular os sonhos da Querida Amazônia com ações concretas, a partir de uma Igreja sinodal, profética e em saída. Do mesmo modo, acordou-se a criação de uma Comissão Intervicarial da Mulher, com o objetivo de identificar, potencializar e acompanhar o trabalho realizado pelas mulheres nos territórios amazônicos, articulando os diversos processos de mulheres existentes nos vicariatos.

Concluída a II Assembleia Eclesial da Amazônia Peruana, a Igreja amazônica renova seu compromisso de continuar caminhando junto aos povos, defendendo a vida, os territórios e a Casa Comum, e fortalecendo processos de participação, formação e incidência a partir da diversidade cultural e espiritual da Amazônia. Em um contexto marcado por múltiplas ameaças, a Assembleia reafirmou que a sinodalidade é um caminho de esperança e que a Amazônia continua sendo um lugar onde a Igreja aprende, discerne e se deixa transformar pelo clamor dos povos e da terra.

22 de janeiro de 2026