Papa Leão XIV visitará a Amazônia em novembro: “É uma visita que enche de esperança toda a Amazônia”

Foto: Vatican News

A visita do Pontífice a Pucallpa, na Amazônia peruana, é recebida pela Igreja amazônica como um acontecimento histórico e uma oportunidade para renovar a missão, fortalecer a sinodalidade e reafirmar o compromisso com os povos e a Casa Comum.

Por: Julio Caldeira IMC / REPAM

O Papa Leão XIV visitará a Amazônia peruana durante sua próxima Viagem Apostólica, de 6 a 17 de novembro de 2026, ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, confirmada pela Santa Sé no último dia 5 de agosto. “O Santo Padre Leão XIV realizará uma Viagem Apostólica ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, de 6 a 17 de novembro de 2026, aceitando o convite dos Chefes de Estado e das Autoridades eclesiásticas dos respectivos países. Sua Santidade visitará Montevidéu, Paysandú e Florida, de 6 a 8 de novembro; Buenos Aires, Córdoba e Luján, de 8 a 11 de novembro; e Lima, Chiclayo, Cusco e Pucallpa, de 11 a 17 de novembro”.

A cidade amazônica de Pucallpa, capital da região de Ucayali, na fronteira com o Brasil, será uma das cidades que receberão o Pontífice. A presença do Papa na Amazônia peruana é recebida com especial esperança pela Igreja local. Para Dom Augusto Martín Quijano Rodríguez, S.D.B., bispo do Vicariato Apostólico de Pucallpa e delegado do Peru junto à Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), trata-se de uma visita cujo significado ultrapassa amplamente as fronteiras desta cidade amazônica.

“É um acontecimento histórico que provavelmente não voltará a se repetir durante muitos anos. Vivemos este momento com muita alegria, emoção e gratidão. É uma visita que enche de esperança não apenas Pucallpa, mas toda a Amazônia. A mensagem do Papa precisa chegar a toda a Amazônia e ao mundo”, afirmou Dom Quijano em entrevista à Comunicação da CEAMA.

Pucallpa, uma Igreja amazônica a caminho

Pucallpa está localizada às margens do rio Ucayali, no leste do Peru, na fronteira com o Brasil, e é um dos principais centros urbanos da Amazônia do país. Seu nome, de origem quéchua, significa “terra vermelha”. A presença missionária nesse território remonta aos primeiros missionários franciscanos, que se estabeleceram entre famílias indígenas, particularmente do povo Shipibo-Konibo.

O Vicariato Apostólico de Pucallpa foi criado pelo Papa Pio XII por meio da bula Cum Petient, em 2 de março de 1956, como parte da reorganização do extenso Vicariato do Ucayali. Inicialmente, foi confiado à Sociedade das Missões Estrangeiras de Quebec e, desde 2008, é acompanhado pelos Salesianos de Dom Bosco. O atual bispo é Dom Augusto Martín Quijano Rodríguez, S.D.B., que assumiu o episcopado em 2019.

Pucallpa faz parte de uma ampla rede de presença eclesial na Amazônia peruana. Os oito vicariatos apostólicos da selva peruana desenvolveram historicamente processos de articulação e acompanhamento pastoral, entre eles o Centro Amazônico de Antropologia e Aplicação Prática (CAAAP), fundado em 1974. Nas últimas décadas, essa articulação também foi fortalecida por meio da Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM (2014) e da Conferência Eclesial da Amazônia – CEAMA (2020), no horizonte de uma Igreja com rosto amazônico, comprometida com os povos amazônicos e com o cuidado da Casa Comum.

Uma visita que quer renovar a missão

No contexto da visita do Papa, Dom Martín Quijano considera que Leão XIV encontrará uma Igreja que percorreu um importante caminho de renovação desde a visita do Papa Francisco à Amazônia, em janeiro de 2018. “Desde a visita do Papa Francisco, a Igreja na Amazônia mudou. Ela avançou muito, porque quis colocar em prática a sinodalidade e a mensagem do Papa de construir uma Igreja com rosto amazônico. Leão XIV encontrará uma Igreja em renovação, a caminho, com esperança e com novos brilhos”, afirmou.

O bispo espera que a visita produza frutos que permaneçam depois de novembro e ajudem a fortalecer o compromisso evangelizador das comunidades. “Queremos que haja um renovado envio à missão. A preparação já está transformando nossas comunidades, mas também queremos que, depois de novembro, a Igreja amazônica saia fortalecida em sua missão”, acrescentou.

Dom Quijano descreve o povo de Pucallpa que receberá o Pontífice como uma comunidade simples, crente e acolhedora, marcada por uma espiritualidade profundamente vinculada à busca de Deus e por uma Igreja missionária que continua acompanhando as comunidades apesar das dificuldades. “O Papa encontrará um povo simples, crente e acolhedor; um povo com uma espiritualidade especial, que busca a Deus. Encontrará também uma Igreja missionária que procura servir com alegria a todas as comunidades, apesar das dificuldades, e que vive com esperança”, expressou.

Embora Pucallpa seja a sede amazônica da viagem, o bispo ressalta que o alcance da visita será muito maior. “Não devemos falar somente da Amazônia peruana. O Papa vem visitar a Amazônia em toda a sua extensão. Visitará território peruano, mas tocará um território sagrado para toda a Igreja amazônica”, afirmou.

Cuidar a Casa Comum e defender a dignidade dos povos

A agenda oficial detalhada da visita a Pucallpa ainda não foi publicada. No entanto, Dom Quijano menciona alguns dos momentos que estão sendo projetados: um encontro e espaço de escuta com os povos amazônicos, um encontro com a Igreja local na Catedral da Imaculada Conceição e o plantio de um shihuahuaco, uma das árvores mais emblemáticas da Amazônia.

Esses possíveis gestos expressam o desejo de que a visita tenha uma profunda dimensão simbólica e pastoral. Para o bispo, a chegada do Papa à Amazônia constitui, antes de tudo, um sinal da proximidade da Igreja universal com os povos e territórios amazônicos. “Simplesmente ao vir à Amazônia, o Papa nos diz: a Igreja está com vocês. Caminha com vocês. E, portanto, há esperança”, afirmou.

Nessa perspectiva, Dom Quijano destaca que a visita será também uma oportunidade para renovar o compromisso da Igreja com o cuidado da criação e a defesa da dignidade dos povos amazônicos. “O Papa vem nos recordar a importância de cuidar da criação, de defender a dignidade de todos os povos amazônicos e de renovar o compromisso para que a alegria do Evangelho chegue até o último rincão de nossa Amazônia”, afirmou.

A expectativa é que a visita de Leão XIV deixe sementes de renovação que continuem crescendo nas comunidades amazônicas. “Tenho certeza de que esta visita do Papa Leão trará coisas novas que crescerão em nossa Amazônia, como novas sementes de árvores belas e imensas para a nossa Igreja”, concluiu Dom Quijano na entrevista concedida à Comunicação da CEAMA.

* Pe. Julio Caldeira é missionário da Consolata e vice-presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM).

NOTA: Entrevista completa em https://ceama.org/la-amazonia-se-prepara-para-recibir-al-papa-leon-xiv-mons-martin-quijano-sdb/