
Na ante-sala do Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA), a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) incentiva a realização de ações contundentes em relação à água, à vida e ao território. Com a intenção de promover a análise do contexto social da Amazônia, fortalecer a justiça socioambiental e incentivar a participação ativa de atores territoriais, a rede participa de uma nova edição do FOSPA, acompanhando líderes e lideranças, religiosas e religiosos das diferentes jurisdições eclesiais e aqueles que animam a REPAM a partir de diferentes frentes.
Por: Equipe de Comunicação da REPAM
Em seu momento, o trabalho conjunto da REPAM com a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), a Rede de Educação Intercultural Bilíngue (REIBA), o Programa Universitário Amazônico (PUAM) e o Serviço Jesuíta Pan-Amazônico (SJPAM) desenvolveu um espaço preparatório para o FOSPA por meio da realização de três webinars. Agora, o evento que se inicia se apresenta como um cenário no qual a importância de uma Igreja com rosto amazônico, os frutos do processo sinodal, a ecologia integral e as lutas dos povos que habitam a Amazônia ganham mais relevância do que nunca.
A análise de dados permitiu que a REPAM e cada organização presente na Pan-Amazônia fizessem uma autocrítica sobre o impacto de seu trabalho nos territórios. A realidade é iminente: a floresta amazônica sofre hoje, mais do que nunca, os impactos das mudanças climáticas; a perseguição a defensoras e defensores dos direitos humanos está aumentando; as taxas de desmatamento não apresentam reduções significativas; e a expansão da mineração, legal ou ilegal, é cada vez mais evidente. Estamos diante de um cenário em que a ecologia integral continua em risco; por um lado, o equilíbrio biológico é alterado e, por outro, são as comunidades amazônicas que estão na linha de frente dos impactos do desastre ecológico. A REPAM chega ao FOSPA consciente de que continua inserida em um cenário no qual a terra e os pobres seguem clamando.
REPAM na agenda do FOSPA
A participação da REPAM no fórum teve início com a visita territorial realizada em diferentes pontos da bacia do rio Puyo. O curso d’água enfrenta um grave problema de contaminação decorrente da atividade humana e industrial presente na cidade. Além disso, a gestão inadequada do lixo e dos resíduos inorgânicos levou membros do povo Kichwa de Pastaza a classificarem o Puyo como um rio morto e sem vida. O caminho para declarar o afluente como sujeito de direitos teve início no seio do Vicariato Apostólico de Puyo e chegou a espaços como a Escola de Direitos Humanos da REPAM e o próprio FOSPA.
Nos espaços de encontro com movimentos, organizações e demais integrantes da sociedade civil, a REPAM estará presente nas quatro casas temáticas do fórum: Territórios Livres de Extrativismos para uma Amazônia com Direitos; Soberania e Livre Determinação dos Povos e Nacionalidades Indígenas; Economias para a Vida e a Justiça Climática; e Resistência das Mulheres e Diversidades. Além disso, destaca-se a participação da Relatoria Especial para o Direito à Água e ao Saneamento, com o relatório sobre a Água na Amazônia, bem como a atividade autogestionada da REPAM, que será realizada no próximo dia 19 de agosto, na qual será ressaltado o papel dos rios como ponto de encontro dos povos da Amazônia.
A expectativa é que a reflexão realizada pelas diferentes organizações que participam do FOSPA vá além dos documentos e cartas que enunciam e denunciam a problemática, avançando diretamente para a ação, a fim de fortalecer os processos de luta em favor das comunidades e de seus territórios. O contexto da Amazônia nos chama, hoje mais do que nunca, a escutar o clamor da terra e dos pobres, mas também a atuar de acordo com os pedidos e chamados que emergem desses clamores.